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Archive for agosto \21\UTC 2009

O prazer da troca

Beatriz Monteiro

Com auxílio da Internet, sites buscam incentivar a troca de livros estimulando e valorizando a diversidade na leitura

Há muito se discute o valor de um livro. Se esse se estende para além do conteúdo, sendo transformado em troféu colocado na estante. O motivo pelo qual alguns de nós o consideramos um bem material, ainda é objeto de estudo. Talvez, porque dispensamos uma quantia significativa para a compra, ou colocamos em nossa intenção a vontade de lê-lo outra vez.

A troca de livros vem sendo, frequentemente, pensada e estimulada por empresas e sites de pessoas entusiastas da ideia. Criado em 2005, o portal Estante Virtual criou, há dois meses, o Programa Nacional de Troca de Livros, que busca democratizar a leitura através do incentivo da integração de sebos ao portal e na adesão ao programa.  Hoje, são 130 sebos no Brasil, que fazem parte do programa. Em São Paulo, esse número baixa para 50, mas para André Garcia, idealizador do site, já é um número significativo. “A troca de livros sempre existiu, mas lançamos uma nova condição aos leitores; o crédito virtual”, comenta.

Para fazer parte do programa, o leitor deverá se dirigir aos sebos participantes e oferecer livros seminovos (exemplares conservados e com potencial de venda). O livreiro avaliará e entregará um vale-compras, que poderá ser usado no mesmo local da venda do livro (o crédito será 25% do preço de mercado), ou o crédito virtual (20% do preço de mercado). Nesse caso, os créditos valerão para aquisição de livros na Estante Virtual, nos acervos de mais de 400 sebos de todo o Brasil que aceitam o Pagamento Digital. Segundo Garcia, o crédito virtual é como se fosse uma conta corrente virtual, transação toda feita por e-mail.

Desde a década de 90, a característica do sebo vem se transformando. O fluxo de livros recém-lançados aparece em estantes dos sebos. Alguns deles, já fecham acordo com editoras para a venda em atacado.

Apelidado de “Google” dos Sebos, o portal Estante Virtual conta com 1,5 mil e livreiros cadastrados, cerca de 4,5 milhões de obras online e 20 milhões de livros offline (acervo físico de todos os sebos participantes). Dos títulos presentes, dois milhões deles custam até R$ 12. Três milhões de livros chegam a até R$ 20, no portal. Forma-se, portanto, uma grande rede de comercialização e incentivo à formação de sebo, oferecendo um programa de cadastro simplificado e envia kits do Sebrae, aos pequenos livreiros, com auxílio na abertura de novos estabelecimentos. “Nossa missão é tirar a imagem de um lugar que tenha apenas a finalidade de encontrar livros antigos e fora de catálogo”, finaliza.

Sites que promovem a troca na Web

Portal de Troca de Livroshttp://www.trocadelivros.com.br/novo/index.php

Feira itinerante de troca de livroshttp://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,oracle.br.dataservers.ContentEventDataServer18,selectEvent&template=946.dwt&event=545

Book Mooch http://pt.bookmooch.com/

Parques da cidade de São Paulo onde ocorrerá a feira de Troca de Livros e Gibis
Parque da Luz, na região central, 13 de setembro
Parque Cidade Toronto, em 4 de outubro
Parque Santo Dias, no bairro de Capão Redondo, em 8 de novembro

3.000 livros para download no site da USPhttp://www.brasiliana.usp.br/

FONTE: http://www.catracalivre.com.br http://catracalivre.folha.uol.com.br/2009/08/o-prazer-da-troca/

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Por Rosely Sayão

“Ser adolescente não é fácil e meus pais não percebem isso”, disse-me uma garota de 15 anos, chorando.
Concordo com ela, por vários motivos. De largada, eles foram considerados “aborrecentes”, uma expressão que deve ser riscada do vocabulário, já que sugere que os jovens aborrecem os adultos com suas crises, mudanças de humor, rebeldias etc.

Com sua presença, enfim.

A quem considera os adolescentes desagradáveis, lembro que todo adulto já encarnou um, fato que costuma ser convenientemente esquecido. E lembro, também, que é preciso entender que deixar de ser criança significa, primeiramente, perder muita coisa.

A ansiedade que os jovens sentem com as mudanças que ocorrem no corpo deles não é coisa pequena nesse mundo em que a aparência é tão valorizada, por exemplo. Mas hoje vou conversar sobre o processo de crise de identidade nessa fase.

Os pais são o prolongamento da criança, já que tudo o que ela faz passa por eles. Perder esse apoio e referência tão fortes provoca vulnerabilidade e é trabalhoso porque significa construir e procurar sua própria identidade. Isso supõe testar capacidades, aprender a reconhecer limites e riscos, organizar sua relação com o grupo e reconhecer o que quer e o que pensa, entre outros processos.

Passar por isso com a fragilidade que os adultos vivem nesse tempo só torna as coisas ainda mais difíceis. 

Essa é a crise de identidade, uma das passagens inevitáveis desse período.

Para saber quem quer ser, o adolescente precisa saber quem são seus pais. Para chegar a um local desconhecido é preciso estar bem localizado, saber onde está e de onde veio, não é?

O espírito da lei recentemente aprovada no Senado, que permite aos filhos adotados conhecer dados de seus pais biológicos, é esse. O problema é que esse conhecimento tem sido complicado porque muitos pais não dão rumo aos filhos.

“Você escolhe, você é quem sabe, você decide” são expressões que os pais dizem com frequência a filhos pequenos acreditando que, com isso, lhes dão autonomia. Não. Desse modo, negam aos filhos o conhecimento de quem são e de onde estão e a própria condição de criança. “Sou praticamente um adulto”, ouvi um garoto de nove anos dizer.

Para tornar-se adulto, o adolescente precisa passar por sua crise dentro da família para conseguir se organizar fora dela. Por isso, os pais precisam “segurar a onda”, apoiá-lo e se fazer presentes não fisicamente sempre que o filho precisar.

A família precisa ser continente para o filho em crise, mas muitos pais estão “caindo fora”, como dizem os jovens.

Ser impotente para se relacionar com o filho adolescente parece uma epidemia e isso só agrega dificuldade à já difícil tarefa deles -como reclamou a garota citada-, que só colabora para o adiamento da aquisição de uma identidade.

Um adolescente não pode ser como uma criança, assim como um adulto não pode ser como um adolescente. Precisamos encontrar soluções para esse duplo problema.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (ed. Publifolha)

Fonte: Folha de S. PauloEquilíbrio, 13/6/2009
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1308200911.htm

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Novos estudos traçam o mais completo retrato da mente infantil. E revelam que as crianças têm mais consciência do mundo que nós, pobres adultos.

Inúmeras sociedades ao longo da história humana prestaram reverência à sabedoria e à consciência dos velhos. Reza a tradição que só o passar dos anos é capaz de nos dar a percepção apurada sobre quem somos, como agem os outros e como funciona o mundo a nosso redor. Mas um livro lançado na semana passada nos Estados Unidos sugere que esse esplendor de consciência não se encontra apenas no fim do caminho. Está também no início. 

“Os bebês são mais conscientes que nós”, afirma a psicóloga americana Alison Gopnik, professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Ela é a autora de The philosophical baby (O bebê filosófico), uma compilação de estudos científicos que forma o mais completo retrato da mente infantil até hoje. Por muito tempo, diz Gopnik, subestimamos a capacidade dos bebês de entender o mundo. E talvez tenhamos superestimado a dos adultos. “Os estudos científicos mostram que os bebês são mais abertos às experiências e aprendem com mais facilidade. Essas habilidades resultam em um nível bastante elevado de consciência, não aquele limitado que atribuímos aos bebês.” Gopnik diz não ter aprendido apenas nos laboratórios. A mais velha entre seis irmãos e mãe de três filhos, ela afirma ter convivido tempo suficiente com crianças para sustentar sua polêmica conclusão. 

Aos 54 anos, formada há 30 em psicologia e filosofia, Gopnik é uma das principais representantes de um grupo de psicólogos, linguistas e neurocientistas que se dedicaram nos últimos dez anos a entender a mente de crianças que ainda não sabem falar. Munidos de bichos de pelúcia, fantoches e animações computadorizadas, eles criaram jogos capazes de revelar o que bebês de poucos meses entendem sobre o mundo. Conseguiram comprovar que eles já nascem com capacidades que surpreenderiam a mais orgulhosa das mães: somar e subtrair intuitivamente, calcular estatísticas rudimentares a respeito dos sons e eventos mais frequentes e até compreender princípios da física. 

Com base nesses experimentos (confira alguns deles no infográfico abaixo), os pesquisadores comprovaram que os bebês estranham quando lhes apresentamos uma conta simples com resultado errado ou quando apresentamos objetos com propriedades não naturais. Mais surpreendente, eles demonstram qualidades morais inatas: preferem um objeto que “ajuda” outro e sorri a um objeto que “atrapalha” e faz o outro objeto “chorar”.

“Hoje, sabemos que o cérebro dos bebês já vem com sistemas que dão a eles predisposições importantes para conhecer o mundo”, afirma a psicóloga Maria Lucia Seidl de Moura, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que acompanha as pesquisas modernas sobre a primeira infância. “Essas estruturas tornam os bebês mais atentos a determinados aspectos do ambiente, como quantidades, movimento dos objetos e o rosto das pessoas.” Os bebês usam essas noções inatas para investigar o ambiente e aprender. “Até os bebês mais novinhos são capazes de formular hipóteses a respeito de como o mundo funciona”, afirma Gopnik. Ela compara a forma de pensar dos bebês à dos cientistas. Ambos estão sempre dispostos a aprender, formulando teorias e testando-as com base nos dados que conseguem colher. “Em geral, as pessoas pensam nas crianças como irracionais e egocêntricas”, disse Gopnik a ÉPOCA. “Mas, se pensarmos nelas como formuladoras de teorias, suas atitudes ficam mais compreensíveis. As teorias servem para imaginar o máximo de formas como o mundo poderia ser.” Como disse o cientista Albert Einstein, “a imaginação é mais importante que o conhecimento”. Porque a imaginação cria, o conhecimento solidifica. No dia a dia, estamos em geral no ramo dos sólidos. Os bebês, no dos fluidos. Somos mais eficientes, mas menos flexíveis. Sabemos mais coisas, mas nos encantamos menos. 

“Ser bebê é como ver um thriller fantástico ou ser um turista numa cidade estrangeira, em que até as mais tolas atividades parecem excitantes”, disse Gopnik. “Para um bebê, todo dia é como ir a Paris pela primeira vez.” Um adulto não tem como replicar essa capacidade. Mas pode “colar” de uma criança. Foi o que fez a arquiteta Thaís Rosa. “Todo dia me deslumbro com o mundo junto com o Caio”, diz ela. Caio, seu primeiro filho, tem hoje 1 ano e 4 meses. Thaís achava que nunca fosse tolerar que seu bebê levasse à boca a chupeta que caíra no chão, mas decidiu deixar os exageros de mãe de lado para curtir junto com Caio as descobertas diárias. Comprometido com suas “pesquisas”, Caio já tentou lamber até o chão – tarefa, aliás, cumprida com sucesso. “Nada passa despercebido por ele. Nem formigas”, diz Thaís. Aos 8 meses, no primeiro encontro do bebê com os insetos, durante um aniversário, as formigas viraram o centro da festa. Sentado no chão de grama e paralelepípedo, para aflição de alguns convidados zelosos, Caio ria e batia palmas, observando o vai e vem dos insetos. Até arriscou as primeiras engatinhadas para perseguir a trilha. Thaís vigiava a distância. Já havia aprendido com o filho a se encantar com aquilo que os adultos mal percebem. “Meu jeito de ver o mundo mudou completamente”, diz Thaís. 

Uma das pioneiras na reviravolta sobre o entendimento da mente dos bebês, a psicóloga americana Elizabeth Spelke ficou famosa por criar alguns dos experimentos mais engenhosos. Os alunos de Spelke apelidaram seu centro de estudos na Universidade Harvard de Spelkelândia. As salas são uma mistura de berçário com laboratório. Abrigam os mais variados tipos de brinquedos, além de equipamentos de eletroencefalograma (aparelhos que medem a atividade do cérebro a partir de eletrodos) e espelhos falsos, de onde os estudantes gravam os bebês durante os testes. Usando esses recursos, os alunos passam boa parte do tempo planejando jogos que os ajudem a desvendar como os bebês pensam. E acabam entendendo até de mágica. 

Para demonstrar as noções de física dos bebês, os estudantes tiveram de simular truques que subvertessem os princípios que regem a matéria. Nos testes, bebês de 3 meses se surpreendiam quando os pesquisadores puxavam uma mesa em que um brinquedo estava apoiado e ele continuava flutuando no ar (amarrado ao teto por um cordão transparente). Demonstravam espanto se um boneco colocado atrás de uma cortina desaparecia quando o pano era levantado. Olhavam fixamente para uma animação digital em que um trem passava através de um muro, sem quebrá-lo. A demonstração de surpresa dos bebês diante desses três truques leva a crer que eles têm noção de gravidade (porque sabem que o bloco deveria cair no chão), continuidade (porque sabem que a matéria não desaparece) e solidez (porque sabem que o trem não pode passar pelo muro sem destruí-lo). 

Agora Spelke se dedica a entender a habilidade dos bebês para lidar com quantidades. Eletrodos plugados na cabeça de crianças com poucos meses – algo um tanto impressionante de observar – ajudam a desvendar o funcionamento do cérebro. De modo inofensivo, garantem os pesquisadores. Em um estudo ainda em fase inicial, a equipe de Spelke percebeu que os bebês têm uma área do cérebro especializada em detectar quantidades, uma evidência de que essa capacidade é anterior até mesmo ao desenvolvimento da linguagem. “Testes como esses e exames de neuroimagem sugerem que as capacidades inatas do bebê estão relacionadas a determinados circuitos cerebrais”, afirma Spelke. “Estudos genéticos também estão começando a mostrar que esses sistemas são controlados por genes específicos. Mas ainda há muito o que entender.” 

Os estudos já concluídos mostram que os bebês têm uma habilidade matemática surpreendente. A psicóloga Koleen McCrink, pesquisadora do laboratório de Spelke em Harvard e professora da Universidade Yale, conseguiu mostrar que bebês de 9 meses podem intuitivamente fazer somas e subtrações. McCrink colocava bonecos atrás de uma cortina na presença de bebês. Em alguns casos, colocava um boneco a mais sem que eles vissem. Percebeu que os bebês olhavam fixamente durante mais tempo quando ela abria a cortina com um número diferente de bonecos do que eles tinham visto ser postos ali. Os bebês também prestavam atenção quando os pesquisadores mudavam o tamanho de um objeto em um conjunto, sinal de que são capazes de relacionar proporções. 

A capacidade numérica de bebês tão novos pode até espantar adultos que se atrapalham com contas. Mais que prever a habilidade futura com cálculos, ela ajuda a explicar como se desenrolam etapas fundamentais do desenvolvimento infantil. “A linguagem tirou vantagem de termos um senso numérico”, diz McCrink. Essa propensão inata para detectar quantidades e proporções ajuda os bebês a aprender a língua materna. Eles conseguem extrair regularidades no padrão de formação das palavras, aprendendo os sons que compõem o idioma e a maneira como eles se ligam. 

O linguista americano Daniel Swingley, professor da Universidade da Pensilvânia, estudou como os bebês reconhecem palavras e descobriu que, aos 10 meses, antes mesmo de começar a falar, eles conhecem centenas delas. Podem não entender seu significado, mas memorizam a estrutura sonora. Bebês cuja língua nativa é o inglês já sabem aos 8 meses que naquele idioma a ênfase na pronunciação recai, na maior parte das palavras com duas sílabas, sobre a primeira. É o que acontece em napkin (guardanapo) e em happen (acontecer). “Essa estratégia ajuda os bebês a entender onde começam e terminam as palavras. Assim, eles detectam onde estão nas frases os termos que ainda não conhecem”, diz Swingley.

Os bebês usam essa mesma tática para entender como o mundo funciona. Eles fazem isso com noções de estatística. Conseguem perceber quais ações levam com mais frequência a determinados resultados. Assim descobrem que ao apertar o interruptor a luz se acende (sempre), ao toque do telefone as pessoas dizem alô (muitas vezes) ou que antes de colocar a comida na boca devem assoprar (nem todos assopram, mas a mamãe faz isso na maioria das vezes). “O cérebro deles é como um computador”, diz o psicólogo Andrew Meltzoff, professor da Universidade de Washington que se tornou referência mundial ao estudar os mecanismos de aprendizagem dos bebês. “Até os recém- -nascidos mantêm seus olhinhos atentos, observando e medindo estatísticas sobre o que está acontecendo para deduzir relações de causa e efeito.” 

Apesar da capacidade dos bebês de processar dados, os cientistas descobriram que o programa mais importante do “computador” infantil é aquele que torna qualquer bebê fofo aos olhos dos adultos: a habilidade de se relacionar socialmente. “A Marcela cativa”, afirma a administradora de empresas Fernanda Felizzola, mãe da bebê de 1 ano e 5 meses. “Ela olha fixamente, é tão simpática e sorridente que não há como não retribuir o sorriso”, diz. Marcela também olha com atenção para livros de ilustrações. Mas com gente o encanto é mais forte. E isso faz parte do método dos bebês para decifrar como os adultos agem e pensam. Fernanda acredita que o dom da filha para atrair a atenção vem em boa parte do charme de suas bochechas rosadas e de seus cílios longos. Mas os cientistas descobriram que a natureza foi mais audaciosa. Programou o cérebro dos bebês com sistemas que lhes dão ferramentas para chamar a atenção dos adultos. Eles já nascem atraídos por rostos e vozes. Experimentos clássicos mostram que recém-nascidos passam mais tempo observando a imagem de um rosto humano que a de um animal e que vozes são os sons que mais despertam a atenção, fazendo-os virar à procura da fonte ou acelerando sua frequência cardíaca. 

“A interação com as pessoas serve para guiar os bebês a respeito do que devem aprender”, afirma Meltzoff. Eles seguem o olhar, percebem se a pessoa está sorrindo ou se está brava e prestam atenção em uma coisa quando notam que ela é importante para alguém. Em um de seus estudos mais conhecidos, o pesquisador conseguiu provar que até um bebê de 42 horas já é capaz de reproduzir um gesto. Ao mostrar a língua ao recém-nascido, ele recebeu de volta a malcriação. É algo inesperado. Bebês dessa idade nunca observaram o próprio rosto e, mesmo assim, conseguem mapear a ação do adulto e reproduzi-la. Isso mostra que os sistemas cerebrais da representação do “eu” e do “outro” estão conectados. 

O grande mérito da nova leva de estudos sobre a mente infantil é mostrar aos pais, eternos angustiados com a educação dos filhos, que o afeto e a atenção dispensados aos bebês são os fatores mais importantes para o desenvolvimento. É com base nessas relações sociais que o bebê recolherá suas estatísticas e construirá suas teorias sobre as pessoas e sobre o mundo. Uma conclusão reconfortante para pais que se sentem culpados por não conseguir oferecer às crianças toda a gama de brinquedos eletrônicos, jogos e DVDs que se propõem a impulsionar o desenvolvimento. A série Baby Einstein, uma das pioneiras no gênero, virou uma febre: hoje apresenta letras, números e novas palavras a crianças em mais de 30 países. Nos Estados Unidos, segundo uma pesquisa da fundação americana Kaiser Family, assistir a vídeos desse tipo faz parte da rotina de 50% dos bebês. O mesmo estudo mostrou que 28% das crianças até 2 anos brincam no computador e que 70% dos pais acham isso benéfico. 

“A ânsia de acelerar o desenvolvimento intelectual das crianças é preocupante”, afirma o psicólogo Mauro Luís Vieira, da Universidade de Santa Catarina. “Os aspectos emocionais e sociais também merecem atenção.” É por esse motivo que, apesar do apelo sedutor, games e DVDs educativos não passam de uma opção para entreter por alguns momentos. Os novos estudos revelam que os bebês precisam de interação social para aprender. Esses recursos, portanto, seriam ineficazes. 

Por via das dúvidas, a relações-públicas Isabella Giuzio resolveu apostar nas duas coisas. “Pago caro por uma boa educação. Mas, se eu não estivesse tão presente, só isso não adiantaria.” Sua filha Valentina, de 2 anos e 6 meses, frequenta uma escola bilíngue há um ano. Já mistura palavras em inglês em suas frases e assiste a DVDs com o áudio original. Mas também escuta da mãe uma história todas as noites (nas últimas semanas, no lugar da Bela Adormecida quis ouvir a história de uma tal de gripe suína) e brinca de casinha com o pai, o engenheiro Rodrigo Fantozzi. Para dedicar-se aos filhos, Isabella trocou o emprego como produtora de eventos por um trabalho como corretora de imóveis, garantia de horários flexíveis. Hoje, sete meses após o nascimento de seu segundo filho, Antonio, Isabella é mãe em tempo integral. Mas pensa em voltar a trabalhar. “Conheço mulheres que trabalham e não delegam a função de ensinar a um DVD”, diz. “O importante é estar por perto para que o estímulo seja natural.” 

Se a função do carinho e da atenção sobre o desenvolvimento das crianças é incontestável, os estudos que sugerem que os bebês nascem com noções básicas de física e matemática ainda geram controvérsias. Afinal, qual é a contribuição real dessas supostas predisposições para o aprendizado? São elas responsáveis pela facilidade dos bebês em adquirir conhecimento? Ou o processo acelerado de aprendizado é apenas reflexo da constituição do cérebro dos bebês que, ainda em formação, está mais propício a absorver os estímulos do ambiente? 

A ciência ainda não tem uma resposta, mas já avançou muito. Até a década de 70, não era raro encontrar pesquisadores que ainda se baseavam na antiga concepção de que a mente dos bebês era como uma folha em branco (tabula rasa, ou tábua vazia, no dizer de John Locke, filósofo inglês do século XVII), a ser preenchida pelas experiências e pela educação. As ideias de intelectuais notáveis do fim do século XIX e início do XX, como o criador da psicanálise, Sigmund Freud, e o psicólogo americano Burrhus Frederic Skinner, influenciaram gerações de cientistas. Freud e Skinner acreditavam que os bebês nasciam isolados do mundo, imersos na confusão de estímulos que inundavam seu cérebro. “Uma confusão estonteante”, a definição da mente infantil cunhada pelo psicólogo americano do século XIX William James, resume o pensamento da época. Hoje pelo menos já sabemos que os confusos somos nós, os adultos. 

Fonte: ÉpocaCiência e Tecnologia, 10/8/2009
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A maioria dos acidentes que envolvem crianças acontece em casa; ambiente precisa ser adaptado para prevenir quedas, intoxicações, afogamentos e queimaduras

Para a maioria dos pais, não há lugar mais seguro para as crianças do que sua própria casa. Mas não é bem assim. Um estudo feito pela ONG Criança Segura, em 2005, revelou que 55% dos acidentes que envolvem os pequenos ocorrem em casa e, geralmente, com um adulto por perto. As quedas são o tipo mais recorrente, em uma lista que inclui afogamentos, queimaduras e intoxicações.

Segundo outra pesquisa, do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Toxico-Farmacológicas), da Fundação Oswaldo Cruz, 24% dos casos de intoxicação em 2007 atingiram crianças com menos de cinco anos -a maioria, em casa.

Os medicamentos são a principal ameaça desse grupo (36% dos casos), seguidos da ingestão acidental de produtos de limpeza (22,2%, sendo a água sanitária a maior vilã). “Ela está em todas as casas. Além disso, a criança pequena não tem o paladar totalmente apurado. Por isso, pode bebê-la tranquilamente”, diz Rosany Bocher, responsável pelo estudo.

Produtos químicos, como ceras, agrotóxicos de uso doméstico (inseticidas) e animais peçonhentos, como os escorpiões, que geralmente ficam escondidos em roupas e sapatos, são outras ameaças. A intoxicação ocorre durante o esmagamento acidental do animal.

Dose errada

Mãe de primeira viagem, a relações públicas Patrícia Furchinetti, 35, passou por duas experiências de intoxicação medicamentosa acidental com seu filho Luca, de nove meses.

Na primeira vez, quando o menino tinha cinco meses, Patrícia entrou no quarto da criança no escuro e, equivocadamente, administrou uma dose errada de antitérmico. “Teria que dar 0,7 ml e coloquei 7 ml, dez vezes mais.”

No hospital, o caso foi informado ao Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica). “Foi horrível, fiquei superconstrangida com a situação”, afirma. O bebê teve alta no dia seguinte.

Na segunda vez, Luca tinha sete meses quando Patrícia administrou corticoide por mais tempo do que o indicado. O menino quase entrou em choque, e ela teve que diminuir a dose do remédio paulatinamente.

Segundo o Sinitox, os casos de intoxicação por medicamento acontecem tanto pela ingestão acidental (por armazenamento em local impróprio) quanto pela administração errada.

Quedas

Helena Gomes Morais, 4, também estava sob os cuidados de um adulto quando sofreu uma queda da rede, no mês passado. Instantes depois que a avó deu as costas para a menina, que brincava no terraço, Helena caiu e cortou o queixo. Precisou levar três pontos. “Depois disso, não tenho mais colocado a rede em casa”, diz a mãe, a procuradora Mariana Gomes Morais, 36.

Embora a área externa ofereça riscos de queda, afogamento e intoxicação por plantas e produtos químicos, o local mais perigoso da casa é a cozinha. “Evitar que a criança entre ali reduz em 80% os acidentes, porque na cozinha podem ocorrer queimadura, intoxicação e quedas”, diz Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura.

O banheiro também oferece riscos, conforme mostrou um estudo publicado na revista “Pediatrics”. De 1990 a 2007, cerca de 43 mil crianças foram atendidas em unidades de emergência dos EUA, a cada ano, devido a escorregões e quedas durante o banho.

Prevenção


A boa notícia é que a maior parte dos acidentes pode ser prevenida. Segundo Françoia, os pais devem avaliar o desenvolvimento dos filhos para, então, adaptar a casa à sua presença. “A criança de dois ou três anos não sabe o que deve evitar. Ao afastar o perigo e conversar com ela, estamos orientando e educando”, acredita.

Uma medida importante para prevenir quedas, que representam mais da metade desses eventos, é proteger as janelas dos apartamentos. “Deve-se sempre colocar tela: na sala, na cozinha, na área de serviço. E isso vale para crianças de qualquer idade”, diz Françoia.

Escadas, lages e até o prosaico trocador de bebê também podem ser uma ameaça -que o diga a psicóloga Candice Pomi Sousa Marques, 35. Quando seu filho Teodoro tinha quatro meses, ela o deixou sobre o móvel para abrir o chuveiro. “Nessa idade, não esperava que ele rolasse. Coloquei uma almofada no trocador, mas, quando voltei, ele tinha se espatifado no chão”, recorda-se. O menino ficou dois dias internado e precisou de gesso por um mês.

Quando o acidente não pode mais ser evitado, há algumas dicas a seguir. Em casos de queda, a criança deve ser observada. “Se tem vômito, palidez, choro diferente, desmaio ou afundamento no local em que bateu a cabeça, deve ser levada ao hospital”, diz Renata Dejtiar Waksman, presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria e uma das coordenadoras do livro “Crianças e Adolescentes Seguros” (ed. Publifolha).

Queimaduras devem ser lavadas em água corrente por cinco a dez minutos. Se a criança sofre uma intoxicação, o indicado é ligar para um centro de assistência toxicológica para receber orientação.

Folha de S. Paulo
, Equilíbrio, 13/6/2009
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1308200905.htm

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Fonte site http://www.hsw.uol.com.br/

Como funciona a Estação Ciência

No Brasil, são raros os museus de ciência. Mais raros ainda os museus voltados para crianças e estudantes em geral. Aí está o principal, mas não o único, mérito da Estação Ciência da Universidade de São Paulo, que fica no bairro da Lapa, na capital paulista.

O museu Estação Ciência é completamente interativo e está dividido em diversas áreas de conhecimento como física, geologia, matemática e biologia. É possível o visitante conhecer um pouco mais de lógica, brincando com jogos, ou de física, gerando energia para ligar um rádio – diversão e conhecimento ao mesmo tempo.

estacao ciencia
Divulgação: Estação Ciência
Saguão de entrada da Estação Ciência

Tendo monitores especializados, a grande maioria estudantes da USP, ninguém fica perdido nos 1.915 m2 de exposição. Além disso, muitas das experiências contam com painéis explicativos. A movimentação pelo espaço de dois andares é livre, apenas algumas atrações têm horários específicos para acontecer. Os monitores, normalmente, convidam os visitantes na hora em que vão começar suas explicações. Mas não se intimide, eles estão lá para responder qualquer pergunta a qualquer hora.

Enfim, na estação, é possível passar algumas boas horas de forma agradável no mundo da ciência. Conheça agora um pouco mais sobre o local e programe-se para esse passeio pelo conhecimento.

História da Estação Ciência

A Estação Ciência foi inaugurada em 1987 após a concessão da área à Universidade de São Paulo. Mas o prédio é bem mais antigo. Ele foi construído no início do século para abrigar uma tecelagem. Em 1936, umgrande incêndio atingiu a construção que, por pouco, não foi completamente destruída. Reconstruído, o galpão chegou a abrigar um depósito de sementes administrado pelo governo estadual. Em 1985, numa discussão com a comunidade da Lapa, foi decidido que o prédio teria destinação cultural, além de ser tombado. No ano seguinte, o prédio foi passado oficialmente para a USP e, em 1987, é inaugurada a estação.

Atrações da Estação Ciência

Como já foi dito, a estação é dividida em dois pisos. O caminho natural do visitante é passar por todo o primeiro pavimento e depois seguir para o segundo andar. Então, vamos seguir esse caminho.

Escultura áudio-cinética

Escultura áudio-cinética
Luís Indriunas
Logo na entrada, há uma escultura áudio-cinética

É o portão de entrada para estação. Um-vai-e-vem de bolas na engenhoca mostra as várias possibilidades de um mesmo objetivo final. Colorido e com sons graciosos, dá para ficar um bom tempo só olhando.

Dinossauros

esqueleto de Alousarus Fragilis
Luís Indriunas
Esqueleto de Alousarus Fragilis

Um enorme esqueleto de Alousarus Fragilis abre a seção de arqueologia, que mostra ainda fósseis diferenciados.

Planetário

Aqui é possível ver uma reprodução do que acontece no céu de São Paulo sem as luzes urbanas que tanto atrapalham quando queremos ver asestrelas. Tem horários específicos para entrar.

Transformações de energia

Imãs, manivelas e interruptores ajudam o visitante a ter noção de como funciona a energia elétrica. E aprender conceitos básicos da matéria. Ah, e se o visitante quiser é só virar a manivela e fazer a televisão ligar, a lâmpada acender, o rádio tocar….

Gerador de Van der Graaf

É outra atração, digamos, elétrica. Nele, você fica literalmente de cabelo em pé.

Óptica

Óptica
Luís Indriunas
Os espelhos podem deformar a nossa própria imagem

Espelhos sobrepostos, um prisma gigante, reflexos deformados de você mesmo. Nessa seção, é possível entender os conceitos de Óptica, rindo.

Bacia hidrográfica

Uma maquete explica como acontece a produção e a distribuição de energia elétrica.

Matemática

matemática
Divulgação: Estação Ciência
Jogos simples ou complexos de lógicas fazem
parte da área de matermática

São cerca de 60 experimentos voltados à lógica.Todos desafios que podem deixar você bem absorto no mundo da matemática.

Terremoto

A questão das placas teutônicas é uma das principais atrações da estação. Além de mapas “quebra-cabeças”, os visitantes sentirão o que acontecem com os nossos pés num terremoto simulado. Segure-se.

Tsunami

Um simulador mostra também como funciona um tsunami de verdade.

Ciências da terra

vulcão
Divulgação: Estação Ciência
Um vulcão por dentro

A influência dos ventos na movimentação dos solos, a formação da Terra e como é atividade de um vulcão. Tudo isso está nessa seção. Além de poder descobrir quanta água você gasta ao escovar dente ou tomar banho.

Energia

Além de conhecer como é retirado o petróleo em águas profundas, nessa seção você pode aprender um pouco mais sobre as energias alternativas como as eólicas ou solares.

Urbanismo

urbanismo
Divulgação: Estação Ciência
Onde estou? Uma maquete mostra os principais
pontos da cidade e do Estado

Uma maquete mostra as distâncias da cidade de São Paulo, seus principais pontos de referências, além de cidades do Estado de São Paulo.

Feudalismo

História também é ciência. Nessa seção, você poderá ver como eram os costumes da Idade Média, através de maquetes de castelos e outros locais da época.

Try science

Aqui, você pode conhecer, pelos computadores, outros centros de ciência e suas brincadeiras e desafios online.

Vida debaixo da água

Aquários mostram espécies de peixes e outros seres vivos aquáticos de acordo com o seu ambiente marinho.

Parada Butatan

Uma pequena amostra das cobras e serpentes que podem ser visitadas no outro museu da USP. Mas não se preocupe, ela estão atrás dos vidros.

Corpo humano

Uma orelha gigante, ovários enormes, dois bonecos gigantes que você pode desmonta-los para ver o corpo humano por dentro. Você vai sair dessa seção se conhecendo melhor por dentro.

Do lado de fora

Além das atrações de dentro, no corredor de fora da estação, além do pedaço do antigo trilho de trens, você tem mais informações científicas como um sistema de roldanas que mostra a distribuição das forças.

Entradas e horários

Ingressos

A Estação Ciência é um passeio bem acessível economicamente.
O ingresso custa R$ 2,00 (valores de 2008) para adultos e crianças acima de seis anos. Mas há também outras promoções.

Veja os preços:

  • Ingresso individual: R$ 2,00
  • Ingresso familiar (até 4 pessoas): R$ 5,00
  • Ingresso familiar (com mais de 4 pessoas): R$ 1,00 cada
  • Crianças até seis anos: grátis
  • Maiores de 60 anos: grátis
  • Comunidade uspiana: grátis
  • Portador de necessidades especiais com um acompanhante: grátis

No primeiro sábado e no terceiro domingo do mês é a entrada é grátis para todos.

Horários

  • 3ª a 6ª feira, das 8h às 18h
  • Sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h
  • Fechamento do portão para ingresso: 17h30
  • A estação também fecha em dias de eleições.

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